Banco de Cabo Verde
Bandeira de Cabo Verde

Relatório de Política Monetária

As estatísticas e indicadores de tendência da atividade apontam para a manutenção de um quadro de retoma da dinâmica económica no primeiro semestre, ancorada num contexto externo mais favorável ao crescimento da procura turística e do investimento direto no país e numa conjuntura de contínua melhoria do clima económico e aumento da oferta de crédito.

A performance favorável da economia nacional no primeiro semestre, as melhores perspetivas quanto ao contexto externo e as orientações das políticas macroeconómicas sustentam o cenário de crescimento económico próximo de quatro por cento, tanto para 2017 como para 2018.

A orientação da política monetária deverá continuar a estimular a procura interna, garantida a ausência de pressões significativas nas reservas externas e na inflação. Entretanto, no plano estrutural, para a expansão da oferta agregada e do potencial de crescimento, o país enfrenta o desafio de implementar adequadamente reformas que induzam o aumento da produtividade total dos fatores.

O Produto Interno Bruto real cresceu 3,9% em 2016, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas. Previsão para 2017 do Banco de Cabo Verde aponta para o intervalo entre 3% e 4%. 

 

Num contexto de algum recobro da dinâmica do crédito e da economia, mas de aumento de incertezas sobre a sua evolução a curto prazo, a política monetária deverá manter o cariz acomodatício que a caracteriza há quatro anos, na ausência de pressões significativas na balança de pagamentos e nos preços no consumidor. Complementarmente, o Banco de Cabo Verde, nos limites conferidos pela sua Lei Orgânica, continuará a atuar no fortalecimento da saúde do sector financeiro, condição necessária para a preservação da estabilidade macrofinanceira e da confiança na economia bem como para o aumento da sua resiliência.

 

A política monetária de Cabo Verde objetiva a estabilidade de preços, enquanto condição necessária para a garantia da estabilidade macrofinanceira do país. Orienta-se, em termos operacionais, para a manutenção de um nível de reservas externas adequado ao perfil de risco do país e consistente com o imperativo de garantir a credibilidade do regime cambial de peg unilateral do escudo ao euro, em vigor desde 1998.

 

A Lei Orgânica do BCV (2002), artigo 18º, sobre a autonomia e responsabilidade prevê que o Banco deve entregar, semestralmente, ao Governo e mandar publicar na forma que achar conveniente, um plano de ação do qual constará a descrição e a explanação das razões da política monetária a ser seguida nos próximos seis meses, a descrição dos princípios a serem seguidos pelo Banco na adoção e implementação da política monetária para o ano seguinte ou outro período de tempo determinado pelo Banco e uma revisão e avaliação da política do Banco implementada durante o período correspondente ao último semestre. É neste enquadramento legal que se inscreve a publicação do Relatório de Política Monetária, duas vezes por ano, no site do Banco de Cabo Verde.